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Currículo para TI: GitHub, stack e projetos

Currículo para TI: GitHub, stack e projetos

Currículo de TI se resolve com evidência: projetos com link e README, stack descrita pelo que entregou e GitHub organizado. Veja o que o recrutador procura, como listar tecnologias e o que vale para quem é júnior.

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Quem contrata dev lê currículo procurando prova, não promessa. Lista de sigla não convence ninguém: o que decide é projeto com link, código legível e resultado descrito em número. Pesquisa da Robert Half com 100 gestores de contratação da área, publicada em março de 2026, mostra 68% das empresas brasileiras planejando aumentar as contratações de tecnologia no ano, com segurança da informação, suporte e infraestrutura no topo da demanda (Forbes Brasil, 03/2026). Vaga existe. Este guia mostra como transformar o que você já construiu num currículo que passa na triagem e interessa ao técnico.

O que o recrutador de TI procura no currículo?

Procura evidência de entrega: projetos publicados com link, stack usada em contexto real, experiência descrita com escopo e resultado, e sinais de que o código de outra pessoa não assusta você. Formação e curso sustentam a candidatura, mas nenhum deles substitui a prova de que algo saiu do papel e funcionou em produção ou perto disso.

A demanda ajuda a calibrar o alvo. Na mesma pesquisa da Robert Half, as áreas mais demandadas no primeiro semestre de 2026 foram segurança da informação (36%), serviço e suporte de TI (28%) e infraestrutura (26%), com nuvem como habilidade técnica mais demandada e cibersegurança como a mais valorizada (Forbes Brasil, 03/2026). A base é estreita, 100 gestores, então leia como direção, não como censo. O Guia Salarial 2026 da Michael Page, com 7.147 profissionais e 998 empresas ouvidas no Brasil, reforça a tese: 60,4% dizem que o domínio de ferramentas e competências digitais é requisito primordial, e a tese editorial do guia é que traduzir solução técnica em impacto para o negócio vale mais que acumular ferramenta (IT Forum, 20/03/2026).

O técnico que avalia seu currículo faz três checagens rápidas. Primeira: a stack do anúncio aparece na sua página em contexto, não solta. Segunda: existe link para conferir, repositório ou aplicação no ar. Terceira: a experiência tem verbo, escopo e resultado, não só cargo e período. Currículo que passa nessas três vai para a conversa. O resto é complemento.

Como montar a seção de projetos e o portfólio no GitHub?

Escolha poucos projetos completos, deixe cada um com README que explica contexto, tecnologias, como rodar e link da aplicação no ar, e mantenha o perfil organizado por tecnologia ou tipo. Três projetos redondos com documentação valem mais que vinte repositórios pela metade, porque o recrutador abre o primeiro link e julga o resto pelo que viu ali.

O guia de portfólio da Rocketseat diz exatamente isso: a forma mais simples de apresentar projetos é pelo GitHub, o portfólio é só a forma organizada de mostrar esses projetos, e o primeiro passo é ter projetos completos, repositórios organizados e boa documentação (Rocketseat). O texto recomenda projetos pequenos completos, funcionais e variados em vez de projetos grandes pela metade, cada um com README detalhado, e sugere destacar cerca de três projetos principais com contexto, desafio, solução, ferramentas e aprendizados. Para quem é de back-end, o próprio GitHub pode ser o portfólio, sem site separado. O perfil é público e entra na avaliação, então fixar os melhores repositórios e arquivar os testes abandonados faz parte do trabalho.

O guia da Ubiminds sobre GitHub como portfólio completa com cinco práticas: contar a história por trás do código, o problema, as decisões e os aprendizados; quantificar impacto com dados como usuários, tempo economizado, bugs corrigidos ou ganho de performance; mostrar contribuição open source e colaboração; manter o portfólio atualizado e organizado; e diversificar stacks e domínios (Ubiminds). O ponto do número merece atenção: "API em Node com Postgres" informa menos que "API em Node com Postgres que atende 2 mil requisições por dia". Quando não há número de produção, use o do projeto: tempo de resposta, cobertura de testes, tamanho da base.

Na página, a seção de projetos segue um padrão fixo. Nome do projeto com link para o repositório e para a aplicação no ar. Uma linha do que ele faz e para quem. Stack entre parênteses. Seu papel e uma linha de resultado. Quatro linhas por projeto, três ou quatro projetos. Projeto sem link verificável vira alegação, e alegação o recrutador pula.

Como listar a stack sem virar sopa de letrinhas?

Amarre cada tecnologia a um lugar onde ela foi usada: projeto, emprego ou contribuição, com nível honesto de domínio. Stack solta em lista alfabética diz que você ouviu falar; stack repetida nos projetos diz que você entregou. Quando a vaga pede cinco tecnologias e você domina três, as três aparecem com evidência e as outras duas nem entram.

A triagem automática reforça o cuidado. A IA não deduz competência que não está descrita com clareza: se a habilidade não aparece em texto, o sistema não identifica aderência. É o que afirma Frederico Sieck, CEO da startup de recrutamento Koud, em matéria de junho de 2026, estimando que 70% dos perfis são reprovados já na primeira triagem e que boa parte dos eliminados avançaria descrevendo melhor as experiências (Você RH, 04/06/2026). Leia o número pelo que ele é, estimativa empírica de um executivo do setor, não resultado de estudo amostral. A conclusão prática continua válida: termo da vaga ausente no currículo é termo que a triagem não encontra.

Na prática, organize a stack em dois lugares. Um bloco compacto de competências com as tecnologias da vaga, cada uma seguida do contexto entre parênteses quando couber: "Postgres (3 anos, produção)". Depois, as mesmas tecnologias reaparecendo nos bullets de experiência e projetos. Nível de idioma de programação se declara sem escala inventada: anos de uso e contexto valem mais que "avançado". Curso introdutório não vira item de stack; vira projeto publicado ou não vira nada.

Currículo, LinkedIn e portfólio: qual usar em cada etapa?

O currículo em PDF abre a candidatura, o LinkedIn sustenta a checagem de fundo e o portfólio decide a entrevista técnica. Cada um tem um trabalho e nenhum substitui o outro: PDF de uma página para a triagem, perfil completo para o recrutador que pesquisa seu nome, repositório organizado para o dev que vai te entrevistar.

O PDF segue as regras do formato que a triagem lê: coluna única, texto selecionável, seções com nomes comuns. O passo a passo do formato está no guia de PDF ou Word, e o teste de leitura antes do envio, no guia de currículo simples. Dev que envia PDF exportado de template com duas colunas e ícones repete o erro clássico: bonito na tela, embaralhado na extração.

O LinkedIn carrega o que o PDF não comporta: histórico completo, recomendações, atividade em comunidades, certificações com credencial verificável. O PDF que a rede exporta não substitui um currículo, e o preenchimento do perfil tem limitações próprias, como mostra o guia de currículo no LinkedIn. Mantenha cargo, período e stack iguais nos dois; divergência entre PDF e perfil levanta dúvida na checagem.

O portfólio fecha o ciclo para vaga de desenvolvimento: GitHub organizado, aplicação no ar quando existir, README que permite rodar o projeto. Para suporte, infra e dados, o equivalente pode ser outro: certificações ativas, documentação publicada, dashboard de exemplo, relato de incidente resolvido. O formato do portfólio digital e quando um site próprio ajuda estão no guia de currículo digital. A regra é uma só: cada etapa da seleção encontra sua prova no canal certo.

Júnior sem experiência: o que vale no currículo?

Vale tudo que prova entrega: projeto pessoal publicado, contribuição open source, freela, iniciação científica, monitoria, estágio e curso que terminou em projeto entregável. O erro do júnior é deixar a página vazia esperando a primeira CLT; o acerto é tratar código publicado como experiência desde o primeiro repositório decente.

Projeto de curso conta quando saiu do tutorial: funcionalidade própria, deploy, README. Contribuição open source conta mesmo pequena, correção de bug documentada, tradução, teste adicionado, porque mostra leitura de código alheio e rito de pull request. Freela e bico contam com nome do cliente ou descrição do serviço, período e entrega. Voluntariado técnico, site de ONG, automação de planilha de coletivo, conta quando tem link ou contato de referência.

Estágio e programa de formação merecem seção própria com o que foi feito, não só o nome do programa. Monitoria e iniciação científica entram com orientador e tema em uma linha. Cursos entram filtrados: os que sustentam a vaga e os que geraram projeto. O restante da estratégia para quem nunca trabalhou está no guia de currículo sem experiência, e o recorte de primeiro emprego, no guia de currículo para primeiro emprego.

Objetivo profissional de júnior diz a vaga mirada e a disponibilidade, sem rodeio: cargo alvo, stack principal, cidade e regime. Duas linhas. O resto da página prova.

Perguntas frequentes

Como fazer currículo de TI?

Liste stack por evidência, não por sigla: cada tecnologia aparece junto do projeto onde foi usada, com link para o repositório e uma linha de resultado. Inclua GitHub organizado, experiência com escopo e impacto, formação e cursos só quando sustentam a vaga. Uma página para júnior e pleno, duas no máximo para sênior com histórico longo.

Precisa de GitHub no currículo de TI?

Para vaga de desenvolvimento, sim na prática: o GitHub é a forma mais simples de mostrar projeto funcionando, e recrutadores conferem o perfil. Vale mais com repositórios organizados, README com contexto e como rodar, e alguns projetos completos do que dezenas de testes inacabados. Para suporte e infra, o LinkedIn com certificações pesa mais que o GitHub.

Devo colocar todos os cursos no currículo de TI?

Não. Curso entra quando sustenta a vaga: certificação da stack anunciada, curso com projeto entregável que virou item do portfólio, formação em andamento para estágio. Lista longa de curso introdutório ocupa o espaço da evidência e sinaliza dispersão. Um curso com projeto publicado vale mais que cinco só com certificado.

Como mostrar projetos pessoais no currículo?

Como experiência de verdade: nome do projeto, link do repositório e da aplicação no ar, stack usada, seu papel e uma linha de resultado mensurável. Projeto pessoal com README completo, com contexto, tecnologias e instruções para rodar, conta como prova de entrega. Sem link verificável, vira só uma linha de texto que ninguém consegue conferir.

Com os projetos no ar e a stack amarrada em evidência, confira o texto contra o anúncio antes de enviar: o teste de score do CVMatch mostra em segundos quais termos da vaga ficaram fora do seu currículo.

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