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Currículo para jovem aprendiz: o que colocar em 2026

Currículo para jovem aprendiz: o que colocar em 2026

O contrato de aprendizagem tem regra escrita: idade, jornada, escolaridade e cota por empresa. O currículo de quem tem entre 14 e 23 anos prova isso, mais os cursos e as atividades que ocupam o lugar da experiência formal. Inclui três modelos de objetivo e onde se inscrever.

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A vaga diz "aprendiz administrativo, de 16 a 22 anos, cursando o ensino médio, 4 horas por dia". Quem tem 17 anos e nunca trabalhou abre o editor de texto e trava na seção de experiência, que é justamente a única que não pode ser preenchida. O contrato de aprendizagem é um contrato de trabalho especial, e o que ele exige de você está escrito na lei: matrícula e frequência na escola, faixa de idade e jornada que caiba no seu dia. O currículo de jovem aprendiz mostra isso, mais os cursos e as atividades que ocupam o lugar da experiência formal.

Como funciona o contrato de jovem aprendiz em 2026

É um contrato de trabalho especial, escrito e por prazo determinado, para quem tem mais de 14 e menos de 24 anos e está inscrito em programa de formação técnico-profissional metódica. A lei exige carteira assinada, matrícula e frequência na escola para quem não concluiu o ensino médio, e salário mínimo hora.

A definição está no artigo 428 da CLT, com a redação que a Lei 11.180/2005 deu ao texto. O mesmo artigo lista as condições de validade: anotação na carteira de trabalho, matrícula e frequência à escola quando o aprendiz não concluiu o ensino médio e inscrição em programa de aprendizagem sob orientação de entidade qualificada em formação técnico-profissional metódica. O parágrafo seguinte garante o salário mínimo hora, salvo condição mais favorável.

A jornada tem teto. O artigo 432 limita o trabalho a seis horas diárias, com proibição de prorrogação e de compensação de jornada. O parágrafo primeiro abre a exceção: até oito horas diárias para quem já concluiu o ensino fundamental, desde que as horas de aprendizagem teórica estejam computadas nesse total. O Decreto 9.579/2018, artigo 62, com a redação do Decreto 11.479/2023, confirma que a jornada compreende as atividades teóricas e práticas, simultâneas ou não, conforme o plano do curso.

O prazo é o ponto em que as normas divergem, e vale saber disso antes de assinar. O Decreto 9.579/2018, artigo 45, na redação do Decreto 11.479/2023, fala em prazo determinado não superior a dois anos. O texto consolidado da CLT apresenta o artigo 428, parágrafo terceiro, com a redação da Medida Provisória 1.116/2022, que trata de até três anos, com exceções de até quatro anos e sem limite para pessoa com deficiência. As duas normas regulam o mesmo ponto e não batem entre si. Confirme o prazo no contrato que a empresa apresentar em vez de assumir um número.

Sobre a idade máxima, o contrato se extingue quando o aprendiz completa 24 anos, conforme o artigo 433 da CLT. A exceção é a pessoa com deficiência, para quem a idade máxima não se aplica. A regra está no artigo 428, parágrafo quinto, inciso primeiro, e reaparece no Decreto 9.579/2018, artigo 44, parágrafo único, na redação de 2023.

Por que a vaga existe: a cota do artigo 429 obriga as empresas a reservar de 5% a 15% dos trabalhadores de cada estabelecimento em funções que demandem formação profissional, e as frações de unidade dão lugar à admissão de um aprendiz. O Decreto 11.479/2023 deu nova redação ao artigo 52 do Decreto 9.579/2018 e mandou incluir no cálculo todas as funções que demandem formação profissional, mesmo as proibidas para menores de 18 anos, conforme a Classificação Brasileira de Ocupações. O decreto foi publicado no Diário Oficial de 6 de abril de 2023, em edição extra. A vaga de aprendiz é obrigação legal da empresa, e não favor.

O que colocar no currículo de jovem aprendiz sem experiência

O contrato exige que você esteja estudando e que a jornada caiba no seu dia, então o currículo começa por escolaridade, série e turno, e continua com cursos, atividades escolares, trabalho informal e voluntariado. O que não existe não entra, porque cargo inventado cai na conferência de documentos feita na matrícula.

Escolaridade é o primeiro bloco

Escola, série, turno e previsão de conclusão do ensino médio. Esse bloco não é enfeite: matrícula e frequência são condição de validade do contrato, e a empresa confere. Escreva "Ensino médio, 2ª série, período da manhã, conclusão prevista para dezembro de 2027". Se você já concluiu, diga o ano e a escola.

Cursos e formação complementar

Informática básica, Excel, inglês, curso técnico. Coloque o que existe, com carga horária e instituição quando houver, e marque o que está em andamento como em andamento, com previsão de término. Curso assistido em vídeo solto, sem certificado e sem carga horária, não sustenta linha no currículo.

O que vale como atividade

Monitoria, grêmio estudantil, projeto apresentado em feira de ciências, ajuda no comércio da família, entregas de bicicleta, atendimento em evento da igreja, voluntariado, reforço para colegas. Tudo isso entra em uma seção chamada "Atividades" ou "Projetos", com o que você fez e por quanto tempo. Nomear isso como emprego é o erro que aparece na primeira pergunta da entrevista.

Habilidades, sem barra de nível

Liste ferramentas e tarefas: Excel intermediário, pacote Office, atendimento ao público, organização de arquivos, operação de caixa. Barra de nível, estrela e gráfico circular não carregam informação quando o arquivo é lido dentro de uma plataforma de recrutamento. A leitura transforma o arquivo em texto, e o dado que só existe no desenho desaparece.

O formato que a leitura automática consegue ler

Coluna única, títulos de seção comuns, sem imagem e sem caixa de texto. A Gupy recomenda exatamente isso na página que explica o preenchimento automático do currículo, e lista colunas duplas e texto dentro de imagem entre os problemas que quebram a leitura. O post sobre currículo simples detalha o formato, e o guia de palavras-chave para currículo ajuda a escolher o vocabulário que a vaga usa.

Objetivo profissional: como escrever

Escreva três linhas: o cargo de aprendiz que você quer, a série e o turno em que estuda e a sua disponibilidade diária. A empresa precisa conferir idade, escolaridade e compatibilidade de horário, e nada disso vem de adjetivo.

Três modelos para adaptar:

  • "Jovem aprendiz na área administrativa. Cursando o 2º ano do ensino médio no período da manhã, com disponibilidade de 4 horas à tarde. Excel intermediário e organização de arquivos em projeto escolar."
  • "Jovem aprendiz em comércio e atendimento. Cursando o 3º ano do ensino médio no período da noite, com disponibilidade de 6 horas durante o dia. Organização de estoque no comércio da família."
  • "Jovem aprendiz em logística. Cursando o 1º ano do ensino médio no período da tarde, com disponibilidade de 4 horas pela manhã. Curso de informática básica concluído em 2026, 60 horas."

A disponibilidade precisa ser verdadeira. Quem estuda de manhã e escreve "disponibilidade total" cria um problema na primeira semana, quando o horário não fechar com a escola.

O que sai: "em busca de crescimento profissional", "quero mostrar meu potencial", "área de atuação a definir". Frase que serve para qualquer vaga não diferencia você em nenhuma.

Onde se inscrever para vaga de aprendiz

O CIEE mantém cadastro de estudante e uma vitrine de processos públicos com inscrição gratuita. O Espro oferece capacitação gratuita e encaminhamento para vagas. As regras da aprendizagem e o material voltado a empresas ficam no site do Ministério do Trabalho e Emprego.

O CIEE tem o cadastro de estudante no portal institucional e mantém uma vitrine de processos públicos com aberturas do segundo semestre de 2026 nas áreas de Alimentação, Magarefe, Comércio e Varejo. Nesses processos a inscrição é gratuita, como registra o edital 01/2026 do IFCE, cujo período de inscrições foi de 2 a 18 de fevereiro de 2026.

O Espro descreve capacitação gratuita para o primeiro emprego e mediação de candidatos para vagas, com o relatório anual de 2025 citado na página inicial.

O Ministério do Trabalho e Emprego reúne a regra da aprendizagem profissional e publica o Manual da Aprendizagem Profissional, que a própria página descreve como um material de 145 perguntas e respostas sobre a contratação, voltado a empregadores e entidades formadoras. Serve para você conferir o que a empresa pode pedir.

Quem assina o programa de aprendizagem é a entidade formadora, e cada região tem as suas. Além das duas maiores, vale procurar no site da prefeitura e no Sistema Nacional de Emprego quais entidades atuam perto de você.

Estatuto do Aprendiz: o que pode mudar

Nada mudou até outubro de 2026. O projeto está em tramitação, e as regras que valem para a vaga aberta hoje são as da CLT.

A página oficial do PL 6461/2019 no Congresso Nacional traz a situação "Em tramitação", com última atualização de dados legislativos em 9 de setembro de 2026. A Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou o relatório em 11 de agosto de 2026, o texto foi retirado de pauta após acordo em 12 de agosto, conforme notícia publicada pelo Senado, e voltou à Ordem do Dia do Plenário em 28 de agosto. Até a consulta feita para este post, não havia votação em plenário nem sanção.

Para quem está procurando vaga, o efeito é nenhum. A vaga aberta agora segue o contrato de aprendizagem que já existe, e o que o projeto mudar, se virar lei, vale para contratos novos. Vale acompanhar, não vale esperar.

Erros que eliminam o currículo de aprendiz

Não mostrar que você estuda, errar a faixa de idade, encher o cabeçalho com dados pessoais, inflar experiência e usar um layout que a leitura automática não lê. O contrato depende de matrícula, frequência e faixa etária, então é isso que a conferência de documentos checa primeiro.

  • Não dizer em que turno você estuda. A jornada do aprendiz precisa caber no seu dia, e a empresa não vai adivinhar.
  • Cabeçalho com foto, estado civil, nome dos pais, RG e CPF. A Lei 9.029/1995 proíbe usar sexo, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar ou idade como critério de acesso ao emprego, e a LGPD limita o tratamento de dados ao que é necessário para a finalidade.
  • Inventar cargo, empresa ou período. A checagem acontece na matrícula, e a diferença entre o currículo e o papel elimina a candidatura.
  • Objetivo que serve para qualquer vaga. Vale o mesmo para a seção "sobre mim" escrita em tom de apresentação pessoal.
  • Duas colunas, ícones e gráfico de habilidades. A leitura pega a linha da esquerda e depois a da direita, e a sua formação aparece colada na sua experiência.
  • Se você tem deficiência, deixar a informação de fora também custa: é a única hipótese em que a idade máxima não se aplica, e omitir isso faz a empresa descartar a candidatura por um critério que não existe no seu caso.

De onde vêm os dados deste post

As fontes deste texto são a CLT consolidada (artigos 428, 429, 432 e 433), a Lei 10.097/2000, a Lei 11.180/2005, o Decreto 9.579/2018 e o Decreto 11.479/2023, publicados no Planalto; a página de acompanhamento do PL 6461/2019 no Congresso Nacional, com dados atualizados em 9 de setembro de 2026; o Senado Federal (12 de agosto de 2026); a página de aprendizagem profissional do Ministério do Trabalho e Emprego e o Manual da Aprendizagem Profissional; o portal do CIEE, a vitrine de processos públicos e o edital 01/2026 do IFCE (inscrições de 2 a 18 de fevereiro de 2026); o Espro; a Gupy, na página sobre preenchimento de currículo; a Lei 9.029/1995 e a LGPD.

Quatro lacunas ficaram declaradas em vez de preenchidas.

A primeira é a duração do contrato. O decreto que regulamenta a aprendizagem fala em até dois anos, e o texto consolidado da CLT, no dispositivo equivalente, apresenta redação que trata de três e de quatro anos. As duas normas estão no ar e divergem, então o post registra a divergência e não escolhe um dos números.

A segunda é o volume de aprendizes no país. A página do Ministério do Trabalho e Emprego lista o Boletim da Aprendizagem de 2024 como o mais recente, e o número de mais de 726 mil vínculos ativos divulgado pela imprensa em junho de 2026 atribui a medição ao ministério sem publicar método nem recorte. Número de cara oficial que não foi lido na fonte primária não entra aqui como estatística.

A terceira é a orientação escrita sobre o que a empresa espera do currículo do aprendiz. Não existe documento oficial com essa lista, nas páginas consultadas nesta rodada, então este texto ficou no que a lei exige que o candidato comprove e no formato que a própria Gupy documenta, em vez de apresentar expectativa de recrutador como regra.

A quarta são os programas que ficaram fora: Mudes e Vagas.com mantêm iniciativas de aprendizagem, e as páginas de cadastro deles não foram confirmadas nesta apuração. Por isso o post nomeia apenas CIEE e Espro.

Se o seu arquivo já está pronto e você quer saber se as palavras da vaga aparecem nele, o CVMatch compara o seu currículo com a descrição da vaga e mostra o score, os termos encontrados e os que ficaram de fora.

Perguntas frequentes

Qual a idade máxima para jovem aprendiz?

Menos de 24 anos, segundo o artigo 428 da CLT. O contrato se extingue quando o aprendiz completa 24 anos, conforme o artigo 433, e a idade mínima é 14 anos. A exceção é a pessoa com deficiência: para ela a idade máxima não se aplica, regra que está no artigo 428, parágrafo quinto, inciso primeiro, e repetida no Decreto 9.579/2018, artigo 44, parágrafo único.

Como fazer currículo de jovem aprendiz sem experiência?

Abra o currículo com escolaridade, série, turno e previsão de conclusão do ensino médio, porque matrícula e frequência na escola são condição de validade do contrato de aprendizagem. Depois entram cursos com carga horária, atividades escolares, trabalho informal e voluntariado, nomeados como atividade e não como emprego. Feche com habilidades em ferramentas e uma linha de objetivo. Coluna única, sem imagem.

O que colocar no objetivo do currículo de jovem aprendiz?

O cargo de aprendiz que você quer, a série e o turno em que estuda e a sua disponibilidade diária. Um exemplo: jovem aprendiz na área administrativa, cursando o 2º ano do ensino médio no período da manhã, com disponibilidade de 4 horas à tarde. A disponibilidade precisa ser verdadeira, porque a jornada do contrato tem de caber no seu dia.

Quantas etapas tem o processo seletivo de jovem aprendiz?

A lei não fixa número de etapas. Ela exige que o contrato seja escrito e que o aprendiz esteja inscrito em programa de formação técnico-profissional metódica sob entidade qualificada, além de matriculado e frequentando a escola quando não concluiu o ensino médio. Quantas fases a seleção tem é decisão da empresa e da entidade formadora. As páginas oficiais do CIEE e do Espro não publicam um número fixo.

Precisa ter curso para ser jovem aprendiz?

A lei não pede curso específico. Pede inscrição em programa de formação técnico-profissional metódica sob entidade qualificada e, para quem não concluiu o ensino médio, matrícula e frequência na escola. Curso de informática, Excel ou inglês ajuda a preencher as seções do currículo e a disputar a vaga, mas não substitui a escolaridade, que é o que o contrato exige.

Se você quer comparar o seu currículo com uma vaga de aprendiz específica antes de enviar, o teste de score do CVMatch mostra em segundos quais termos da descrição ficaram fora do arquivo.

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